Quando jogamos, a nossa área espacial de acção torna-se limitada, circunscrita aos limites impostos pelas regras ou para além destas, à vontade concertada dos jogadores. O jogo ocorre neste espaço circunscrito e em tempo limitado, característica essencial que o afasta de realidade onde nenhum destes factores se encontra sob o nosso controlo ou de acordo com as nossas vontades. Ao sair desta esfera particular de acção o jogador mata o seu jogo e, dependendo das regras, até ao limite de destruir o próprio jogo a todos os jogadores que nele se moviam. Cada jogo tem um caminho ideal a ser seguido e um ambiente contextual que permite dar significado às acções executadas dentro do espaço do jogo e enquanto este se mantiver activo. Um jogo é um sistema absolutamente ordenado (1) onde cada desvio a essa ordem compromete a vitalidade e continuidade do próprio jogo. Sendo que o jogo segue uma ordem que reina suprema sobre toda a acção do jogo, esta toma a forma de pequenos rituais que devem ser seguidos de forma a que a ordem do jogo não seja abalada. Num jogo de futebol, tanto no inicio, como após a marcação de um golo, a bola de jogo deverá regressar ao centro do terreno e ambas as equipas se deverão movimentar para a sua metade do campo, como o fizeram no estado inicial do jogo. Este pequeno ritual, caso não seja executado, põe em causa a continuidade do jogo. Em todos os jogos existem pequenos rituais que fazem parte do sucesso do jogador no contexto de jogo em que este se movimenta.
(1) - "Inside the play-ground an absolute and peculiar orderreigns. Here we came across another, very positive feature of play: it creates order, is order. … Play demands order absolute and supreme"
Johan Huizinga - Homo Ludens, Beacon Press, 1950
Tuesday, January 15, 2008
Friday, January 11, 2008
Cultura Visual
A massificação de uma cultura visual na sociedade da informação permita propalar em maior número uma iconografia de significado social mais abrangente cuja compreensão depende em grande parte da análise visual que cada jogador emprega a cada forma de representação visual e da simbologia que compõe o espaço de movimento do jogador.
Ao usar a sua própria lógica na construção mental de uma experiência pessoal, o jogador usa as suas próprias convicções na interpretação das convenções abordadas pelo jogo. Na criação de uma nova experiência o jogador tem como fonte primordial as suas próprias experiências passadas que carregam em si a memória da emoção gerada no seu percurso. Os jogos incitam à criação mental de estruturas decisórias que permitam ao jogador compreender as suas possibilidades de acção e, paralelamente, uma ideia das consequências dessas acções, para que no ponto fulcral do jogo, o ponto de decisão, o resultado da sua acção possa ser o que ansiava. A expectativa do jogador relativamente ao sucesso ou insucesso das suas escolhas é já emocional e preparatória para a emoção gerada pela mudança do estado do jogador perante o jogo e perante os restantes jogadores. A jogabilidade torna-se assim uma característica emocional do jogo.
Ao usar a sua própria lógica na construção mental de uma experiência pessoal, o jogador usa as suas próprias convicções na interpretação das convenções abordadas pelo jogo. Na criação de uma nova experiência o jogador tem como fonte primordial as suas próprias experiências passadas que carregam em si a memória da emoção gerada no seu percurso. Os jogos incitam à criação mental de estruturas decisórias que permitam ao jogador compreender as suas possibilidades de acção e, paralelamente, uma ideia das consequências dessas acções, para que no ponto fulcral do jogo, o ponto de decisão, o resultado da sua acção possa ser o que ansiava. A expectativa do jogador relativamente ao sucesso ou insucesso das suas escolhas é já emocional e preparatória para a emoção gerada pela mudança do estado do jogador perante o jogo e perante os restantes jogadores. A jogabilidade torna-se assim uma característica emocional do jogo.
Wednesday, January 9, 2008
O Acto de Jogar (Parte 4)
Quando confrontados com uma determinada situação as pessoas tentam compreender a lógica de tal acontecimento de forma a analisá-lo perante as ideias e modelos em que se baseia a situação e para que desta possam retirar desta o máximo proveito possível. Através da coerência na ligação das ideias presentes na mente do jogador este pode reflectir sobre as causas e efeitos das suas acções de modo a atingir o objectivo proposto. Cada jogador aplica a sua própria lógica, o seu conjunto de conhecimentos e pressupostos a cada situação que analisa o que leva a que cada jogo seja uma experiência diferente para cada interveniente.
O Acto de Jogar (Parte 3)
Esta predisposição para jogar acompanha o ser humano desde o estádio inicial até ao estado adulto para quem o jogar permite um afastamento da realidade. Enquanto que para uma criança, o acto de jogar é encarado com a maior seriedade pois ajuda-as entre outras coisas a um melhor reconhecimento da realidade que os rodeia, criando assim uma diferença de atitude em relação ao que chamamos jogar e o que chamamos brincar.
Brincar é uma das primeiras formas de interacção humana. É a brincar que a criança experimenta e desenvolve as suas capacidades físicas, aumenta as suas aptidões motoras e ensaia situações observadas por si que lhe chamaram a atenção. Em grupo ou solitariamente, são várias as brincadeiras que integram o quotidiano de uma pessoa adulta ou criança.
As formas de jogar não são iguais em todas as fases do desenvolvimento humano, pois enquanto que no inicio da vida, os jogos estão mais relacionados com o conhecimento do próprio corpo, do seu espaço e com os seus pais. A partir do momento que se ganha alguma autonomia motora e sensorial que lhe permite identificar símbolos e comportamentos presentes no seu dia-a-dia e com acções observadas aos adultos que o rodeiam. A actividade lúdica dos jogos é produzida através dos desafios e das tarefas realizadas em conjunto com outros jogadores.
Ao jogar é permitido ao jogador gerir os conflitos, frustrações e alegrias criadas pela interacção dentro do jogo e conciliá-los de forma a gerir os sentimentos de vitória ou de derrota. Essa aprendizagem acompanha o jogador quando este abandona o jogo.
Brincar é uma das primeiras formas de interacção humana. É a brincar que a criança experimenta e desenvolve as suas capacidades físicas, aumenta as suas aptidões motoras e ensaia situações observadas por si que lhe chamaram a atenção. Em grupo ou solitariamente, são várias as brincadeiras que integram o quotidiano de uma pessoa adulta ou criança.
As formas de jogar não são iguais em todas as fases do desenvolvimento humano, pois enquanto que no inicio da vida, os jogos estão mais relacionados com o conhecimento do próprio corpo, do seu espaço e com os seus pais. A partir do momento que se ganha alguma autonomia motora e sensorial que lhe permite identificar símbolos e comportamentos presentes no seu dia-a-dia e com acções observadas aos adultos que o rodeiam. A actividade lúdica dos jogos é produzida através dos desafios e das tarefas realizadas em conjunto com outros jogadores.
Ao jogar é permitido ao jogador gerir os conflitos, frustrações e alegrias criadas pela interacção dentro do jogo e conciliá-los de forma a gerir os sentimentos de vitória ou de derrota. Essa aprendizagem acompanha o jogador quando este abandona o jogo.
O Acto de Jogar (Parte 2)
Os jogos são, no inicio, uma forma simplificada de abordar situações sensíveis ou temas relacionados com o crescimento, contendo uma grande componente lúdica que permite, na interacção com o próprio jogo que permite a uma abordagem construtiva relativamente à situação apresentada.
O processo de criação do jogo implica a criação de um sistema de regras que limita a acção dentro do jogo e aborda as várias temáticas que estejam presentes no jogo de forma a facilitar a compreensão das várias relações existentes perante as acções tomadas, a diferenciação de comportamentos permitidos ou não permitidos nessa representação, estimulando no jogador a reflexão sobre as suas acções bem como a interacção com outros personagens que se movimentem no mesmo espaço.
Nos vários estádios de desenvolvimento (1) de uma criança a aprendizagem é feita primeiramente através da observação das outras crianças, ou dos adultos que a acompanham e assim capaz de apreender novas regras de comportamento ou novos conceitos, diferentes daqueles que tem como seus. No caminho da sua evolução cada pessoa tende a ajustar-se à realidade que a circunda, tentando superar sempre com mais eficácia as novas situações que encontra. Depois de resolvido um problema, conjuga-se uma nova estrutura mental para a resolução desse problema e outros que se enquadrem nos mesmos moldes, que se enquadrem no mesmo sistema de regras de modo a que mais facilmente de ajuste à nova situação aparentemente desconhecida.
Com as sucessivas adaptações da criança à sua realidade nos vários estádios de desenvolvimento o seu esquema mental de possibilidades cresce até ao momento em que determinado jogo não é capaz de produzir algo de novo e se procuram novos jogos.
(1) Jean Piaget (1896-1980), psicólogo e filósofo suíço, (www.piaget.org)
Os quatro estádios de desenvolvimento:
o Estádio sensório- motor (dos 0 aos 18/24 meses)
o Estádio pré- operatório (dos 2 aos 7 anos )
o Estádio das operações concretas ( dos 7 aos 11/12 anos)
o Estádio das operações formais ( dos 11/12 aos 15/16 anos)
O processo de criação do jogo implica a criação de um sistema de regras que limita a acção dentro do jogo e aborda as várias temáticas que estejam presentes no jogo de forma a facilitar a compreensão das várias relações existentes perante as acções tomadas, a diferenciação de comportamentos permitidos ou não permitidos nessa representação, estimulando no jogador a reflexão sobre as suas acções bem como a interacção com outros personagens que se movimentem no mesmo espaço.
Nos vários estádios de desenvolvimento (1) de uma criança a aprendizagem é feita primeiramente através da observação das outras crianças, ou dos adultos que a acompanham e assim capaz de apreender novas regras de comportamento ou novos conceitos, diferentes daqueles que tem como seus. No caminho da sua evolução cada pessoa tende a ajustar-se à realidade que a circunda, tentando superar sempre com mais eficácia as novas situações que encontra. Depois de resolvido um problema, conjuga-se uma nova estrutura mental para a resolução desse problema e outros que se enquadrem nos mesmos moldes, que se enquadrem no mesmo sistema de regras de modo a que mais facilmente de ajuste à nova situação aparentemente desconhecida.
Com as sucessivas adaptações da criança à sua realidade nos vários estádios de desenvolvimento o seu esquema mental de possibilidades cresce até ao momento em que determinado jogo não é capaz de produzir algo de novo e se procuram novos jogos.
(1) Jean Piaget (1896-1980), psicólogo e filósofo suíço, (www.piaget.org)
Os quatro estádios de desenvolvimento:
o Estádio sensório- motor (dos 0 aos 18/24 meses)
o Estádio pré- operatório (dos 2 aos 7 anos )
o Estádio das operações concretas ( dos 7 aos 11/12 anos)
o Estádio das operações formais ( dos 11/12 aos 15/16 anos)
O Acto de Jogar (Parte 1)
Enquanto humanos, as primeiras reacções que temos perante um mundo novo, aquando os primeiros anos de vida, são de experimentação e reconhecimento do que nos rodeia. Durante a infância, à medida que se adquire uma maior consciência dos nossos sentidos, somos guiados por um desejo de aprendizagem e evolução até objectivos, que se vão transformando com o conhecimento obtido na sua perseguição e satisfação obtida ao atingi-los. Como crianças, o nosso reconhecimento do mundo que nos rodeia é feito essencialmente através da experimentação obtendo o resultado reactivo às suas acções.
Durante os primeiros anos de vida, esta forma de descobrir a lógica do sistema que nos rodeia, defronta-se com limitações físicas e espaciais bem como indicações que descrevem a forma correcta de concretizar os objectivos a que o referido sistema possibilita. Enquanto crianças, a sua forma de experimentar enquadra-se na necessidade de desenvolver as suas capacidades pessoais, e não o sistema social em que se encontram inseridas. Este acto de recreação e divertimento existente na evolução de um sujeito é classificado como um jogo, perante o qual apenas existem as opções de evitá-lo ou jogá-lo, sendo que nesta última , o resultado final é sempre previsível mas desconhecido.
Durante os primeiros anos de vida, esta forma de descobrir a lógica do sistema que nos rodeia, defronta-se com limitações físicas e espaciais bem como indicações que descrevem a forma correcta de concretizar os objectivos a que o referido sistema possibilita. Enquanto crianças, a sua forma de experimentar enquadra-se na necessidade de desenvolver as suas capacidades pessoais, e não o sistema social em que se encontram inseridas. Este acto de recreação e divertimento existente na evolução de um sujeito é classificado como um jogo, perante o qual apenas existem as opções de evitá-lo ou jogá-lo, sendo que nesta última , o resultado final é sempre previsível mas desconhecido.
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